No som a música que toca pouco, já foi sucesso, já foi hit.
Na mesa sobras, restos, do que foi boa comida, do que alimentou.
Na cama os travesseiros, o edredom, frios, apenas perfumados.
No banheiro o cheiro de banho, o vapor, o piso molhado.
No espelho marcas de mãos, marcas de pele...
Na sala os móveis, apenas almofadas fora do lugar, e uma fina camada de pó.
É como se a casa fosse habitada, como fosse viva, como se fosse...
É como se a vida fosse continua, como se a vida continuasse.
Não procure pela casa, não vai encontrá-la.
Procure mais longe e poderá ver quem tem esta vida.
Da casa ela nada leva, da casa ela nada tem. Dela a casa só tem lembranças.
Vivem de protocooperação. Ainda que não vivam. Ainda que em suas almas seja uma relação de mutualismo.

Um comentário:
pois eu gosto da tua casa. e as comidas na geladeira tem a tua cara. além do sofá cama vermelho.
também acho que tu vive muito bem aí, sem nada de protocooperação, é total mutualismo! tu e a tua casa há menos de 5 minutos dos bares necessários.
mas sim, dá pra ver quem leva a vida dela: tu, sem dúvida.
e não escreve com tristeza... porque com tristeza mesmo tu iria escrever se morasse na vila nova, que nem internet decente tem!
e nem nenhum bar. e mal tem ônibus!
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