sábado, 19 de julho de 2008

Ela e a casa

No som a música que toca pouco, já foi sucesso, já foi hit.

Na mesa sobras, restos, do que foi boa comida, do que alimentou.

Na cama os travesseiros, o edredom, frios, apenas perfumados.

No banheiro o cheiro de banho, o vapor, o piso molhado.

No espelho marcas de mãos, marcas de pele...

Na sala os móveis, apenas almofadas fora do lugar, e uma fina camada de pó.

É como se a casa fosse habitada, como fosse viva, como se fosse...

É como se a vida fosse continua, como se a vida continuasse.

Não procure pela casa, não vai encontrá-la.

Procure mais longe e poderá ver quem tem esta vida.

Da casa ela nada leva, da casa ela nada tem. Dela a casa só tem lembranças.

Vivem de protocooperação. Ainda que não vivam. Ainda que em suas almas seja uma relação de mutualismo.

Um comentário:

L.T. disse...

pois eu gosto da tua casa. e as comidas na geladeira tem a tua cara. além do sofá cama vermelho.
também acho que tu vive muito bem aí, sem nada de protocooperação, é total mutualismo! tu e a tua casa há menos de 5 minutos dos bares necessários.
mas sim, dá pra ver quem leva a vida dela: tu, sem dúvida.

e não escreve com tristeza... porque com tristeza mesmo tu iria escrever se morasse na vila nova, que nem internet decente tem!
e nem nenhum bar. e mal tem ônibus!