
Pra quem ainda não sabe, a praça da alfândega é lugar de prostituição. Engana-se quem pensa, como eu pensava, que são duas ou três, elas são várias. Poucas cores e sabores, todas muito parecidas: Mais velhas, pouco acima do peso, rostos sofridos, roupas patéticas.
Sexta-Feira, 14hs, inicia a maratona ao oficio. Fomos minha amiga e eu ao centro buscar o famoso oficio esperado há um mês. Não estava pronto. Aproveitamos para ver a exposição sobre a Anne Frank, muitas pessoas, tudo bonito. Resolvemos tomar um café próximo ao local de onde estaria o oficio em poucas horas. Não há comentários sobre o café por que aquilo não era um café, fomos enganadas e recebemos a micro porção, isso que acontece quando você pede leite vaporizado naquele lugar.
Eram 16 horas quando resolvemos ligar para saber do tal oficio. Resposta terrível, mais duas horas de espera. Acho que fiquei tão furiosa que perdi o juízo.
- Vamos sentar aqui na praça (da alfândega). Tem algumas prostitutas, mas aquele banco está bem ensolarado e está na frente do museu. Acho que não tem problema.
Mal sentamos e uma das “moças” sentou-se no banco ao lado, acho que ficou com medo de roubarmos seus clientes. Ficamos falando sobre o oficio e os resultados que ele traria. Primeiro susto: passa um senhor de aproximados 70 anos e dá dinheiro para a “moça”, cutuquei minha amiga, que super discreta ficou olhando toda a cena. O senhor foi embora e nada aconteceu.
- Ah, vai ver que ele tem pena dela e veio trazer um dinheiro.
- Luci, não seja ingênua, ele veio pagar o que devia.
Mais diálogos absurdos sobre o oficio e o principal diálogo do dia:
- Estou me sentindo muito inútil.
Diz minha amiga. Neste momento aproxima-se um homem que passava pela praça.
- Mas ninguém pode dizer que não estamos trabalhando.
Olhar de surpresa do homem para nós.
Depois dessa frase, tive mais cuidado com o que dizia, mas ficamos até às 18hs lá esperando um oficio que não apareceu.


