quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Apaguei as duas linhas que havia escrito. Tenho outra coisa em mente.

Lembro-me do dia que passei deitada na grama, um leve manto colorido nos separava. A posição não lembro, mas era tão confortável que parecia que poderia ficar assim o dia todo. Aos poucos aquela música se aproximou, meu corpo foi tomado de um impulso e começou a dançar, sem sair de onde estava. A música era leve e parecia misturar-se ao vento. O corpo se movia, ora como a música, ora como vento. Os olhos, que quando estavam abertos, olhavam o céu e viam que as nuvens também se moviam, não com o vento, mas com a música. Os olhos se fecham.

Não estou mais deitada na grama, já estou de pé, a música está mais alta. O vento mais forte. A dança toma conta do meu corpo, não há parte que não se manifeste. Já não é mais dia, o sol deu lugar a lua mas as chamas ao chão iluminam o gramado. As poucas nuvens movimentam-se de forma imperceptível. Os elementos entram em contato com o corpo, a música é bela. O manto colorido também dança, agita-se, faz parte da atmosfera. Os olhos abrem.

Lembro que passei o dia deitada na grama, com um leve manto colorido nos separando. A posição não lembro, mas era tão confortável que fez eu ficar assim o dia todo. Aos poucos perdi a noção do meu corpo, deixei o ambiente me envolver, e ele me envolvia. Os olhos lutavam, tentavam ver, só viam as nuvens, que se moviam com o vento.

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